Como recuperar o seu calendário — e a sua coragem.
Muitos líderes terminam o dia exaustos – e atrasados.
Responderam a todos os emails. Compareceram a todas as reuniões. Resolveram todos os problemas urgentes. E, ainda assim, o trabalho estratégico (a reflexão, o posicionamento, as conversas difíceis) nunca aconteceu. De novo.
Este não é um problema de gestão de tempo. É um problema de tomada de consciência.
Quando funciona em piloto automático, o seu dia acaba por ser decidido por quem grita mais alto. O seu inbox transforma-se na sua lista de tarefas. As notificações tornam-se na sua agenda. Não está a decidir para onde vai o seu tempo: está apenas a responder aos estímulos que puxam por si em diferentes direções. Há uma grande diferença entre reagir ao correr do dia e assumir o seu controlo.
"Uma agenda cheia não é a mesma coisa do que uma agenda produtiva."
A tomada de consciência é a primeira mudança. Antes de conseguir proteger o seu tempo, precisa de perceber como ele está realmente a ser utilizado. Não como pensa que está a ser utilizado, mas como realmente é. A maioria dos líderes fica surpreendida quando analisa uma semana real. Trabalho estratégico? Muitas vezes representa menos de 20% das horas registadas.
Depois surge o segundo problema, mais difícil: a cultura das expectativas impossíveis. A liderança de topo quer mais resultados. Os prazos acumulam-se. A regra subliminar passa a ser: faz acontecer, custe o que custar. E assim, os líderes dizem que sim, trabalham aos fins de semana, abdicam do descanso – não porque acreditem no plano, mas porque têm receio do preço que um "não" lhes possa custar.
Este medo é a verdadeira armadilha. E trabalhar ainda mais, enredado dentro dela, não a faz desaparecer.
Os líderes que conseguem lidar bem com este cenário não são sobre-humanos – são comunicadores estratégicos. Falam cedo. Negoceiam o âmbito do trabalho. Reformulam a conversa: isto é o que é possível fazer com estes recursos, e isto aquilo de que precisaríamos para executar tudo o que está nesta lista. Lideram a narrativa, em vez de serem esmagados por ela.
O burnout não é uma medalha. É um sinal de que o sistema não está a funcionar, e de que chegou o momento de deixar de absorver a disfunção e começar a chamá-la pelo seu verdadeiro nome.
O que faria esta semana, se tivesse duas horas de tempo estratégico, sem interrupções, totalmente sob o seu controlo?
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Cristina Ferreira da Costa
President & Founder
CDCConsulting Partners, LLC

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